A vingança gangrenava sua sensibilidade. Fechava todas as janelas e impedia que a luz da lucidez entrasse.
Ninguém poderia saber o quão difícil era para ele terminar uma vingança depois que começava. Ele se perdia em sua cegueira, e até mesmo os braços de sua sensibilidade gangrenada caiam impedindo que ele tateasse o breu de seu subsolo.
Não que fosse um homem mal ou mesquinho. Era simplesmente acostumado a insistir em suas birras. Mesmo sabendo as consequências desastrosas, só conseguia ser detido pelo muro de fracasso que o destino jogava contra seu corpo esmagando seus ossos e o ensinando na dor.
Temia mais o sucesso que o fracasso.E porque não? Alguém pode prever o que vem depois do sucesso? Talvez simplesmente não tivesse criatividade para usufruir a felicidade, talvez estivesse no seu devido lugar, pois nada o fazia solitário em seu destino excêntrico: o mundo foi esculpido por braços fracos e fortes e seu eixo é sustentado pelos antagonismos.
Estava conformado em ser obstáculo de si mesmo, afinal não há vida sem obstáculos. Era ciente das coisas que não conseguiria mudar e se confortava ao lembrar que seria salvo pelo esquecimento,no dia em que fosse velho e louco o suficiente para acreditar que era feliz.
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