Todas as madrugadas essas paredes se encontram no escuro, e a solidão me esmaga.
E esse dia, que eu queria que não acontecesse, amanhece de mãos dadas com a tristeza.
Um peso imenso amarra meu corpo na cama. Me entrego à inexistência,e apenas observo o estado das coisas: A nuvem de poeira repousando no ar, o som dos ruídos de ratos nas minhas gavetas, e o velho cobertor deitado no meu corpo vazio.
Tenho tanta preguiça de tudo que não tento nem me matar, sigo apenas adiando a vida, esperando ser devorada pelos insetos.
Meus punhos mortos e cerrados, travam uma luta para que nenhuma frestra do mundo invada esse quarto, enquanto minha angústia ecoa num infinito vazio.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Mefistófeles 22, 35-38
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo?
Não se julgue capaz de tanta bondade, pois melhor ou pior sempre serás defeituoso.
Deixe que o inferno te queime, não há tempo pra temer a própria sorte.
Tú inventastes um ser perfeito, a tua imagem e semelhança, para fugir de tuas fraquezas, em vez de encará-las até que seus olhos ardessem na verdade.
Violentou o livre arbítrio do próximo, quando julgavas que ele desafiava tua filosofia.
E nessa prece sangrenta que omitiu a perversidade dos teus.
Não tentes aproximar teu ser da divindade, pois teu instinto é tão próximo do animal, quanto tua carne é próxima da putrefação.
Por isso, deixe-se queimar.Junte-se aos inocentes que expiraram na fogueira de tuas crenças anacrônicas.Somente assim se aproximarás do amor ao próximo.
Não se julgue capaz de tanta bondade, pois melhor ou pior sempre serás defeituoso.
Deixe que o inferno te queime, não há tempo pra temer a própria sorte.
Tú inventastes um ser perfeito, a tua imagem e semelhança, para fugir de tuas fraquezas, em vez de encará-las até que seus olhos ardessem na verdade.
Violentou o livre arbítrio do próximo, quando julgavas que ele desafiava tua filosofia.
E nessa prece sangrenta que omitiu a perversidade dos teus.
Não tentes aproximar teu ser da divindade, pois teu instinto é tão próximo do animal, quanto tua carne é próxima da putrefação.
Por isso, deixe-se queimar.Junte-se aos inocentes que expiraram na fogueira de tuas crenças anacrônicas.Somente assim se aproximarás do amor ao próximo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Crueldade Sóbria
Enquanto minha noite fabrica quantidades industriais de pesadelos, você goza no quarto ao lado.
Penso em cada semente de ciúmes que você plantou e fertilizou com pequenas doses de ilusão e cinismo.
Penso em um martelo, um machado, quiça uma foiçe...
Facas cegas de desejo, paixão, loucura! Penso em qual instrumento derramará mais sofrimento em seu sangue. Então espero você dormir. Sabe que gosto de surpresas né?
Tinjo todo o seu lençol de vermelho! Junto todas as cores em um cubismo desconexo unindo mãos e cotovelos, coxas e tornozelos, faço meu próprio Picasso, Picasso 3D hahahaha!
Admiro extasiado à minha obra até que ela apodreça. Apodreço junto dela.
Meus dias, minhas noites, nada sobrevive no meu coração podre de ódio.
Penso em cada semente de ciúmes que você plantou e fertilizou com pequenas doses de ilusão e cinismo.
Penso em um martelo, um machado, quiça uma foiçe...
Facas cegas de desejo, paixão, loucura! Penso em qual instrumento derramará mais sofrimento em seu sangue. Então espero você dormir. Sabe que gosto de surpresas né?
Tinjo todo o seu lençol de vermelho! Junto todas as cores em um cubismo desconexo unindo mãos e cotovelos, coxas e tornozelos, faço meu próprio Picasso, Picasso 3D hahahaha!
Admiro extasiado à minha obra até que ela apodreça. Apodreço junto dela.
Meus dias, minhas noites, nada sobrevive no meu coração podre de ódio.
O mal do século
A paixão é o mal do século.
Transborda em muitos braços, numa dança silenciosa e rodopiante sendo vítima de sua própria tontura.
Você, como eu, como todos nós, vive nessa busca ansiosa de reconhecer seus pensamentos no olhar do outro, sendo que quando o outro lhe entende você nem percebe. O amor anda invisível ultimamente, escondido e tímido, tão agredido pelas paixões que já nem sabe mais quem é.
A paixão é o mal do século! Ela acontece o tempo todo, entre todas as pessoas e pessoas, e coisas e pessoas,e pessoas e coisas.
Nos desapegamos do pensamento cretino do casamento forçado, do amor que nasce com o tempo, mas agora nenhum de nós sabemos como lidar com essa liberdade. Ela nos pune tão impiedosamente com a cegueira das paixões, que nos encoraja a rejeita-lá. Mas o deleite dessa prisão se esvai quando nos apaixonamos outra vez. A agonia da paixão a flor da pele é sempre mais excitante que a tranquilidade utópica do amor.
Transborda em muitos braços, numa dança silenciosa e rodopiante sendo vítima de sua própria tontura.
Você, como eu, como todos nós, vive nessa busca ansiosa de reconhecer seus pensamentos no olhar do outro, sendo que quando o outro lhe entende você nem percebe. O amor anda invisível ultimamente, escondido e tímido, tão agredido pelas paixões que já nem sabe mais quem é.
A paixão é o mal do século! Ela acontece o tempo todo, entre todas as pessoas e pessoas, e coisas e pessoas,e pessoas e coisas.
Nos desapegamos do pensamento cretino do casamento forçado, do amor que nasce com o tempo, mas agora nenhum de nós sabemos como lidar com essa liberdade. Ela nos pune tão impiedosamente com a cegueira das paixões, que nos encoraja a rejeita-lá. Mas o deleite dessa prisão se esvai quando nos apaixonamos outra vez. A agonia da paixão a flor da pele é sempre mais excitante que a tranquilidade utópica do amor.
Masoquísmo
Eu queria passar fome, pra não ter tempo de sofrer por amor.Pra que os roncos do meu estômago abafassem os gritos da minha carência.
Me imagino bem distraída, caminhando pela rua, quando no meu caminho aparecem esfaqueadores, anônimos e sem rosto, e me esfaqueiam sem motivo.
Eu sobrevivo, e vejo todas aquelas pessoas, que eu amo e não amo, preocupadas comigo, me ajudando, cuidando de mim...ah! Eu queria tanto essa atenção o tempo inteiro! Ou então me imagino com uma doença terminal... é maravilhoso. Na doença você é lembrado, e qualquer mal que possa ter causado é esquecido. É como se passassemos para o outro a culpa por nossa incapacidade de ser feliz sem precisar da aprovação alheia.
A morte é diferente. Na morte você só é lembrado no primeiro dia, não ressucita ao terceiro, e depois desaparece.Estar doente é a maior prova de vida. Você sente vida em cada dor, cada naúsea.Sente o calor vital queimar na febre.Sente que o fim está próximo, e isso aguça a vontade de viver.
Me imagino bem distraída, caminhando pela rua, quando no meu caminho aparecem esfaqueadores, anônimos e sem rosto, e me esfaqueiam sem motivo.
Eu sobrevivo, e vejo todas aquelas pessoas, que eu amo e não amo, preocupadas comigo, me ajudando, cuidando de mim...ah! Eu queria tanto essa atenção o tempo inteiro! Ou então me imagino com uma doença terminal... é maravilhoso. Na doença você é lembrado, e qualquer mal que possa ter causado é esquecido. É como se passassemos para o outro a culpa por nossa incapacidade de ser feliz sem precisar da aprovação alheia.
A morte é diferente. Na morte você só é lembrado no primeiro dia, não ressucita ao terceiro, e depois desaparece.Estar doente é a maior prova de vida. Você sente vida em cada dor, cada naúsea.Sente o calor vital queimar na febre.Sente que o fim está próximo, e isso aguça a vontade de viver.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Sinto a tranquilidade de um dia diferente há muito tempo esperado.
Sinto também uma breve e suave brisa de sabedoria neste momento.
Por vezes, sinto uma determinada angústia repulsiva que apavora minha lembrança em pequenos e súbitos espasmos ao longo do dia.
Com a mesma frequência (e talvez até ao mesmo tempo), sinto o deleite de uma determinada (outra) lembrança, que me aquece e me derrete por dentro, em súbitos ataques de prazer.
A vida tem a magia de nos fazer sentir de repente, em dias únicos e inesperados, um contraste de emoções que outrora esquecemos de experimentar ou sentir impetuosamente.
A vida não teria sentido se fosse fácil ser feliz.
Sinto também uma breve e suave brisa de sabedoria neste momento.
Por vezes, sinto uma determinada angústia repulsiva que apavora minha lembrança em pequenos e súbitos espasmos ao longo do dia.
Com a mesma frequência (e talvez até ao mesmo tempo), sinto o deleite de uma determinada (outra) lembrança, que me aquece e me derrete por dentro, em súbitos ataques de prazer.
A vida tem a magia de nos fazer sentir de repente, em dias únicos e inesperados, um contraste de emoções que outrora esquecemos de experimentar ou sentir impetuosamente.
A vida não teria sentido se fosse fácil ser feliz.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Sombras me devorando, me vigiando dos arranha-céus, dos becos cheirando a mijo, cheirando a angústia e caos.
Sombras que se confundem com a minha.
Carros parados, com os vidros embaçados do desejo de desconhecidos mal amados.
Me assusto com bêbados desvairados ao cruzar a esquina.
Cruzo por vezes raras, com caras carrancudas como a minha,cascudas como armaduras de proteção, para matar ou para não morrer...
Aperto o passo como se pudesse alcançar o dia, ansiando que a lua se banhe do sangue malicioso da noite misteriosa, que logo será uma manhã avermelhada confidenciando histórias bizarras.
Sombras que se confundem com a minha.
Carros parados, com os vidros embaçados do desejo de desconhecidos mal amados.
Me assusto com bêbados desvairados ao cruzar a esquina.
Cruzo por vezes raras, com caras carrancudas como a minha,cascudas como armaduras de proteção, para matar ou para não morrer...
Aperto o passo como se pudesse alcançar o dia, ansiando que a lua se banhe do sangue malicioso da noite misteriosa, que logo será uma manhã avermelhada confidenciando histórias bizarras.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Filho Afrodisíaco
Tua beleza se faz necessária para que essa inspiração tenha sentido.
Pelo prazer infinito de reconstruir teu corpo em minhas mãos, pressinto o mérito complacente que extraio de seus poros.
Não é apenas redescobrir os prazeres silenciosos de tua carne, ou garimpar sensações em cada centímetro do teu corpo.É a capacidade de explorar os timbres e variações rítmicas dos seus sentidos. Crio minha própria obra de arte através de ti.
Procuro mais que o clímax.Procuro um êxtase infinito.
Mais que simplesmente lhe causar prazer,é encontrar no seu prazer a minha satisfação. É ver um surto de energia em cada uma de suas expressões e pensamentos que eu leio.É o que chamo de ato transcendental, vulgarmente chamado de sexo.
Pelo prazer infinito de reconstruir teu corpo em minhas mãos, pressinto o mérito complacente que extraio de seus poros.
Não é apenas redescobrir os prazeres silenciosos de tua carne, ou garimpar sensações em cada centímetro do teu corpo.É a capacidade de explorar os timbres e variações rítmicas dos seus sentidos. Crio minha própria obra de arte através de ti.
Procuro mais que o clímax.Procuro um êxtase infinito.
Mais que simplesmente lhe causar prazer,é encontrar no seu prazer a minha satisfação. É ver um surto de energia em cada uma de suas expressões e pensamentos que eu leio.É o que chamo de ato transcendental, vulgarmente chamado de sexo.
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