Sombras me devorando, me vigiando dos arranha-céus, dos becos cheirando a mijo, cheirando a angústia e caos.
Sombras que se confundem com a minha.
Carros parados, com os vidros embaçados do desejo de desconhecidos mal amados.
Me assusto com bêbados desvairados ao cruzar a esquina.
Cruzo por vezes raras, com caras carrancudas como a minha,cascudas como armaduras de proteção, para matar ou para não morrer...
Aperto o passo como se pudesse alcançar o dia, ansiando que a lua se banhe do sangue malicioso da noite misteriosa, que logo será uma manhã avermelhada confidenciando histórias bizarras.
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