quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Desencanto Ébrio

Todas as noites eu saio a procura de um acontecimento mágico. Quando algo de diferente acontece não é comigo, e se é comigo, não é nada forte o suficiente pra me impressionar.
Todas as noites eu volto pra casa procurando no caminho algum lugar onde eu possa abandonar meus pensamentos obsessivos antes do amanhecer. Quando o sol começa a avermelhar o céu eu fujo pra casa, como se fosse encontrar um colo quente naquele quarto escuro e frio.
Quando deito em minha cama, tenho a sensação de ter me jogado em um abismo de vazio. Tenho pesadelos tão densos e escuros quanto a minha alma,e quando acordo, a única lembrança que sobrevive a embriaguez é a tristeza.
Não importa o quanto a felicidade é possível. A tristeza sempre será nossa única certeza.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Platônico

Enquanto essa torrente de lágrimas deformar o meu rosto estarei curado.
Sei que não haverá pena que me fará crescer mais do que a que sinto de mim mesmo.
Ás vezes me pergunto se esse vento que acabou de fazer meus cabelos dançarem, permeou sua pele em algum momento da vida. E ainda penso que, se esse vento te tocou, se provocou calafrios num dia mórbido, ou frescor em uma tarde quente e rubra....
Se você estava feliz, triste, ou indiferente...
Mas minha realidade infeliz de adulto ciente dos impossíveis da vida, me arremessa em uma queda súbita, infinita em seus abismos infernalmente oníriocos.
Eu morro de ciúme só de imaginar a quantidade de desconhecidos atrevidos que te olham na rua ao longo do dia.
E imagino que se eu tivesse obsessão e frieza suficientes em minhas entranhas, te mataria após exercitar meu ciúme pensando que é provável que você gosta de ser olhada, que você sai com alguns desses homens , e que você gosta de alguns desses vermes, que nunca chegarão a merecer metade do amor que eu mereço de você.
Você arremessa minha calma pro chão. O que acorda minha tranquilidade é a realidade infeliz de adulto ciente dos impossíveis da vida.

Desapego

Quero desaparecer. Vou me pintar de cinza e esperar que um vento forte me dissolva...
E não por tristeza mas sim por cansaço...
Quero cantarolar a canção do desapego até que ela se transforme em um mantra.
Me livrar daquilo que sei que não preciso, será como beber uma nova estrela na fonte da juventude. Recuperar os anos engolidos pelo sofrimento.
Felicidade é poeira de tamanho invisível, tão delicada, que pode evadir por qualquer frestra de angústia. Precisa ser escondida onde só o amor pode alcançar.
Não basta saber o quanto um sentimento é bom, se não se sabe medir o tempo em que ele se faz necessário.
Só aceita ser feliz aquele que vive todos os sentimentos em sua plenitude, e sabe se desapegar deles.