terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Platônico

Enquanto essa torrente de lágrimas deformar o meu rosto estarei curado.
Sei que não haverá pena que me fará crescer mais do que a que sinto de mim mesmo.
Ás vezes me pergunto se esse vento que acabou de fazer meus cabelos dançarem, permeou sua pele em algum momento da vida. E ainda penso que, se esse vento te tocou, se provocou calafrios num dia mórbido, ou frescor em uma tarde quente e rubra....
Se você estava feliz, triste, ou indiferente...
Mas minha realidade infeliz de adulto ciente dos impossíveis da vida, me arremessa em uma queda súbita, infinita em seus abismos infernalmente oníriocos.
Eu morro de ciúme só de imaginar a quantidade de desconhecidos atrevidos que te olham na rua ao longo do dia.
E imagino que se eu tivesse obsessão e frieza suficientes em minhas entranhas, te mataria após exercitar meu ciúme pensando que é provável que você gosta de ser olhada, que você sai com alguns desses homens , e que você gosta de alguns desses vermes, que nunca chegarão a merecer metade do amor que eu mereço de você.
Você arremessa minha calma pro chão. O que acorda minha tranquilidade é a realidade infeliz de adulto ciente dos impossíveis da vida.

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