quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Masoquísmo

Eu queria passar fome, pra não ter tempo de sofrer por amor.Pra que os roncos do meu estômago abafassem os gritos da minha carência.
Me imagino bem distraída, caminhando pela rua, quando no meu caminho aparecem esfaqueadores, anônimos e sem rosto, e me esfaqueiam sem motivo.
Eu sobrevivo, e vejo todas aquelas pessoas, que eu amo e não amo, preocupadas comigo, me ajudando, cuidando de mim...ah! Eu queria tanto essa atenção o tempo inteiro! Ou então me imagino com uma doença terminal... é maravilhoso. Na doença você é lembrado, e qualquer mal que possa ter causado é esquecido. É como se passassemos para o outro a culpa por nossa incapacidade de ser feliz sem precisar da aprovação alheia.
A morte é diferente. Na morte você só é lembrado no primeiro dia, não ressucita ao terceiro, e depois desaparece.Estar doente é a maior prova de vida. Você sente vida em cada dor, cada naúsea.Sente o calor vital queimar na febre.Sente que o fim está próximo, e isso aguça a vontade de viver.

Um comentário:

  1. Atingir a maturidade afetiva é um caminho muito difícil, precisamos morrer várias vezes em vida. A carência é o maior masoquismo que podemos sustentar. Por causa dela podemos nos relacionar por 6 meses (ou mais) com alguém que só te fode, mas você fica ali... por que precisa de alguém e essa pessoa foi a única que te quis, a única que ousou tocar nas suas partes íntimas e continuar do seu lado. APEGO CARNAL: ainda gostamos de beleza!

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